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Farmácia Universitária da UNIFAL-MG retoma atendimento ao público

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Farmácia Universitária
Fachada da Farmácia Universitária da UNIFAL-MG. (Crédito da imagem: Sarah Milanez/Colaboradora externa da FarUni)

Farmácia Universitária da UNIFAL-MG retoma atendimento ao público após reforma e em parceria com a Prefeitura Municipal de Alfenas passa a oferecer medicamentos do componente básico gratuitos à população.

Farmácia Universitária (FarUni) da UNIFAL-MG retomou o atendimento ao público na semana passada (26/4), após reforma estrutural no prédio. Esta nova fase marca a parceria com a Prefeitura Municipal de Alfenas para dispensação de medicamentos fornecidos pelo Componente Básico da Assistência Farmacêutica (CBAF), responsável por promover o acesso dos cidadãos a medicamentos necessários ao tratamento da maioria dos problemas de saúde da população e distribuídos em farmácias básicas do Sistema Único de Saúde (SUS).

Entre os medicamentos encontrados na Farmácia Universitária estão aqueles prescritos para tratar hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus, dislipidemias, asma, além de outros problemas de saúde crônicos e agudos. “A dispensação e distribuição dos medicamentos é gratuita, sendo necessário apresentar prescrição válida e o Cartão SUS Municipal”, explica o professor Tiago Marques dos Reis, chefe da FarUni.

Segundo Prof. Tiago, a expectativa é que nos próximos meses, a Farmácia Universitária também passe a produzir fitoterápicos e florais de Bach, os quais serão dispensados gratuitamente a públicos específicos como os usuários do SUS e discentes assistidos pela Pró-Reitoria de Assuntos Comunitários e Estudantis (Prace).

Para a diretora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas, Profa. Sandra Maria Oliveira Morais Veiga, a retomada de atividades da FarUni é uma grande conquista para a saúde da população de Alfenas e região, bem como para a UNIFAL-MG e a Faculdade de Ciências Farmacêuticas. “A Farmácia Universitária é considerada um serviço essencial e com o seu retorno continuará a desenvolver atividades nos âmbitos do ensino, extensão universitária e pesquisa. Os serviços oferecidos estão vinculados aos projetos de pesquisa e extensão aprovados pelos órgãos competentes, bem como às importantes parcerias com a Prefeitura de Alfenas por meio da Secretaria Municipal de Saúde e Coordenação da Assistência Farmacêutica no município”, destaca.

A diretora salienta que a reabertura da Farmácia Universitária foi autorizada pelo Comitê de Acompanhamento e Prevenção da infecção pelo novo coronavírus da UNIFAL-MG e as atividades foram planejadas para acontecer de forma gradual e segura, conforme as recomendações dos órgãos de saúde competentes. “Tendo em vista que a Farmácia Universitária foi implantada em 1979 ainda como ‘Farmácia Escola’, completando 42 anos agora em abril, era realmente necessária uma grande reforma para atender às exigências atuais dos órgãos de vigilância em saúde e adequar suas atividades às novas diretrizes curriculares do curso de Farmácia”, diz.

Com a proposta de otimizar os serviços ofertados pela FarUni, a equipe técnica também passou por treinamentos no mês de abril, nos quais foram abordadas palestras sobre autoconhecimento e assistência farmacêutica, com as especialistas Tamara Carvalho (projeto Sorria com a Alma) e Juliana Ávila (coordenadora de Assistência Farmacêutica de Alfenas).

Parceria que fortalece e amplia a assistência

A parceria firmada com a Prefeitura Municipal de Alfenas, de acordo com o chefe da Farmácia Universitária, é peça-chave para a retomada do funcionamento da FarUni. “Há alguns anos, a Farmácia Universitária vinha tendo dificuldades em manter seu estoque de matérias-primas, insumos e medicamentos industrializadas pela falta de interesse de fornecedores em vender para o ente público quantidades limitadas desses itens, visto o fato de que a saída de produtos na Farmácia Universitária não é expressiva como nas grandes farmácias”, explica Prof. Tiago.

O chefe da FarUni esclarece que a saída de produtos esbarrava em questões legais referentes ao comércio de produtos dentro de uma instituição pública e na morosidade intrínseca aos processos licitatórios de forma geral.

“Com a parceria firmada, ainda que a compra dos itens continue sendo realizada por um ente público que, nesse caso, é o município de Alfenas, há recursos federais, estaduais e municipais aprovisionados para o investimento em medicamentos e a quantidade adquirida, necessária para abastecer toda a rede municipal, é um atrativo a fornecedores”, argumenta, acrescentado: “Assim, a Farmácia Universitária consegue ter o medicamento e com isso proporcionar um cenário adequado para a prática da profissão farmacêutica, qualificando a formação oferecida no curso de Farmácia.”

A diretora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas compartilha da opinião do professor Tiago. Segundo Profa. Sandra, a parceria com o a prefeitura foi fundamental para o fortalecimento da Farmácia Universitária como um estabelecimento de saúde, em consonância com o SUS. “O município passa a contar com um serviço altamente qualificado para a dispensação dos medicamentos do componente básico de saúde e a população poderá ter acesso aos medicamentos essenciais com à necessária atenção do farmacêutico”, afirma.

Novo layout da Farmácia Universitária

Um dos aspectos de destaque apontados pela professora Sandra é o novo e acolhedor layout das dependências da Farmácia Universitária. “Todos os usuários serão atendidos com privacidade e receberão orientações específicas sobre seus medicamentos e suas patologias”, comenta.

Para proporcionar esse ambiente, foram organizados quatro setores de atendimentos, nos quais, os clientes receberão as orientações necessárias e podem esclarecer todas as suas dúvidas sobre o seu tratamento com as farmacêuticas, bem como com técnicos treinados e estagiários dos períodos finais do curso de Farmácia. “O paciente passará a entender melhor a importância do seu tratamento e do cumprimento correto da sua prescrição para alcançar a resolução do seu problema de saúde ou a melhora do mesmo”, enfatiza.

Vale destacar ainda, que a Farmácia Universitária disponibilizará serviços clínicos no âmbito do Cuidado Farmacêutico, assistência que, conforme Profa. Sandra, consiste em uma consulta farmacêutica individualizada, incluindo orientações adequadas sobre o uso dos medicamentos e os impactos da correta adesão ao tratamento em suas patologias. “O usuário poderá levar seus exames para avaliação da melhora dos parâmetros bioquímicos e clínicos relacionados, bem como para estudo de possíveis efeitos colaterais indesejados que podem surgir em função do uso de alguns medicamentos”, explica, informando que esta interação com as farmacêuticas ajudará a esclarecer todas as dúvidas e o usuário receberá orientações sobre hábitos de vida, alimentação e vícios que podem comprometer sua melhora e qualidade de vida.

“A Diretoria da Faculdade de Ciências Farmacêuticas agradece todo o apoio da Reitoria da UNIFAL-MG e das respectivas pró-reitoras, em especial, à Pró-Reitoria de Administração e Finanças (Proaf) e à Pró-Reitoria de Planejamento, Orçamento e Desenvolvimento Institucional (Proplan), bem como, o Setor de Serviços Gerais e a toda equipe técnica da FarUni, principalmente à chefia (professores Tiago Marques dos Reis e Liliana Batista Vieira) e às farmacêuticas do setor (Milena e Danielle) e às colaboradoras terceirizadas (Thayne) e externa (Sarah). A soma de esforços para a reforma desse órgão complementar, as adequações necessárias aos órgãos de vigilância em saúde e o comprometimento de todos foram fundamentais para a reabertura da FarUni”, manifesta Profa. Sandra.

Farmácia Universitária

(Fotos: Sarah Milanez/Colaboradora externa da FarUni)

Importância do funcionamento de Farmácias Universitárias

Conforme Diretrizes Curriculares Nacionais aprovadas em 2017, a existência das farmácias universitárias é uma exigência para a formação de profissionais farmacêuticos, uma vez que viabiliza o desenvolvimento de conhecimentos, habilidades e atitudes com orientação e supervisão adequadas.

“O contato com as demandas reais da comunidade usuária da Farmácia Universitária tem o potencial de sensibilizar os estudantes à necessidade de contribuir com a sociedade a partir dos saberes alcançados na vivência da Universidade. Isso o engaja a se envolver nas ações de extensão, sobremaneira naquelas que são coordenadas pela Farmácia Universitária, quando, então, o estudante compartilha o que sabe ao mesmo tempo em que se retroalimenta com a cultura e sabedoria popular”, explica Prof. Tiago.

Segundo o professor, a Farmácia Universitária também contribui com o campo da pesquisa, visto que ao formar competências durante a realização dos serviços associada à necessidade de gerar e analisar dados promove o desenvolvimento do raciocínio clínico e metodológico, e torna o estudante mais crítico e reflexivo. “O estudante desenvolve habilidades para a pesquisa e pode contribuir para o estado da arte em relação à questões que, por exemplo, são tangentes ao cenário de práticas da Farmácia Universitária”, diz.

Para além dos aspectos positivos do funcionamento da Farmácia Universitária para a formação dos profissionais, Prof. Tiago também avalia os benefícios para o sistema de saúde e para o município, destacando fatores como redução de gastos em saúde a partir das orientações dispensadas junto aos medicamentos. “Um estudo farmacoeconômico realizado no Rio Grande do Sul mostrou que três em cada cinco problemas relacionados a medicamentos identificados em pacientes atendidos no pronto socorro de um hospital universitário eram considerados evitáveis, o que poderia gerar uma economia de quase R$ 4,5 milhões para o sistema de saúde”, menciona.

“Na dispensação que está sendo realizada na Farmácia Universitária, o medicamento é fornecido juntamente às orientações que o paciente precisa para o uso correto do medicamento. Além disso, a equipe da Farmácia Universitária está treinada para investigar se o medicamento que será utilizado realmente é necessário para a condição de saúde apresentada, se está sendo efetivo e seguro e se o paciente apresenta adesão ao tratamento, o que permite identificar problemas e propor intervenções para que eles sejam sanados”, acrescenta.

Prof. Tiago também comenta que outros serviços clínicos oferecidos pelos farmacêuticos, como o acompanhamento farmacoterapêutico e o manejo de problemas de saúde autolimitados, ajuda a “desafogar” as unidades de saúde e a evitar o consumo desnecessário de medicamentos, situações que oneram o sistema de saúde. “Os resultados de todos esses serviços se traduzem em qualidade de vida, com benefícios para as mais diversas esferas do município”, finaliza.

O funcionamento da FarUni é de segunda a quinta-feira, das 7 às 11h e das 13 às 17h, e nas sextas-feiras das 7 às 11h e de 13 às 15h.

Contato: (35) 3701-9519 ou por e-mail [email protected]

Mais informações: https://www.unifal-mg.edu.br/faruni/

 

Por | Diretoria de Comunicação Social – Universidade Federal de Alfenas – UNIFAL-MG

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Como lidar com a tristeza das crianças na pandemia

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Foto: Getty Images

Uma coisa que a pandemia nos mostrou é o quanto estamos não só preocupados com o risco de contaminação, mas também estressados, cansados e tantos outros deprimidos. Mas esse problema não atinge só adultos. As crianças estão sendo muito afetadas. Algumas se tornaram mais agressivas, outras ficaram mais tristes ou com variações de humor.

Sabemos o quanto os pais estão transtornados com a demanda de trabalho em casa. O home office pode ter deixada as famílias no mesmo recinto, com a sensação de que estão mais próximos. No entanto, nem sempre isso significa que os pais estão dando a atenção na qual as crianças acham necessárias. Com isso, os filhos confundem a presença do adulto com a atenção em que gostariam de receber, afetando suas emoções na pandemia.

Foto: Freepik

Família, amigos e colegas são fatores fundamentais que formam a sociedade, mas têm sido atravessadas pelo momento atual. Com as crianças, não são diferentes. Elas não sabem como lidar com algo que não se tem entendimento. Ainda é muito confuso para nós, adultos, imagina para eles?

Psicóloga Airam Chaves

Por exemplo, uma pesquisa conduzida, recentemente, pelo Children’s Hospital of Chicago, nos Estados Unidos, veiculada na revista médica JAMA Network Open, mostrou dados preocupantes sobre a saúde mental das crianças e adolescentes americanas e como foram afetadas pelo ensino à distância na pandemia.

Das consultadas, uma parte, cerca de 25%, mostrou-se estressada, ansiosa e irritada. Outras, cerca de 33%, sentiram-se solitárias. Além disso, uma outra parte das crianças, cerca de 30%, que antes mostravam-se felizes, começaram a desenvolver sentimentos como raiva, ficaram deprimidas, sentindo-se solitárias ou estressadas no período em que suas escolas não recebiam os alunos fisicamente.

Isso confirma o quanto as crianças e adolescentes necessitam de uma troca afetiva entre amigos e professores. Vale lembrar que esse contato físico na primeira infância está ligado às funções emocionais cognitivas do cérebro. É nesse “ambiente família” que a escola constrói a identidade social do ser humano.

O fato delas estarem isoladas dentro de casa colabora para que a criança passe a não interagir com outras crianças, nem mesmo com os adultos. Isso ainda gera comportamento agressivo, birras intensas, timidez exagerada, redução no desempenho escolar entre outros conflitos emocionais.

Portanto, pais e professores, mesmo que à distância, precisam prestar atenção na forma como os jovens se expressam e algumas atitudes que possam manifestar, pois podem ser sinalizações ou respostas de como estão se sentindo. Sempre que puderem, tirem um tempo de qualidade para conversar com eles, deem atenção e mostrem o quanto eles são importantes para vocês. Isso pode fazer toda a diferença!

(*) Psicóloga Airam Chaves é formada em psicologia, pós-graduada em psiquiatria e saúde mental da infância e adolescência. CRP: 05/62734

 

Por | Joyce Nogueira – Drumond Assessoria de Comunicação

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Queiroga diz que ministério estuda campanha de testagem contra covid

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©Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Botucatu abriu hoje vacinação em massa da população para pesquisa

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, informou neste domingo (16) que está em estudo na pasta uma ampla campanha de testagem da população brasileira para o novo coronavírus, causador da covid-19. A declaração foi dada em Botucatu, no interior paulista. O município começou a vacinar hoje toda a população entre 18 e 60 anos contra a covid-19, em uma iniciativa que faz parte de estudo inédito sobre a eficácia do imunizante desenvolvido pela Universidade de Oxford, em parceria com a AstraZeneca e a Funadação Oswaldo Cruz (Fiocruz). 

Sobre a interrupção na produção de vacinas contra o coronavírus pelo Instituto Butantan pela falta do ingrediente farmacêutico ativo (IFA), Queiroga ressaltou que a carência da matéria-prima é mundial. “É importante passar uma mensagem positiva para a sociedade brasileira, e não essa cantilena de que está faltando [IFA]. O Brasil precisa de tranquilidade para superarmos juntos essa dificuldade sanitária”, disse.

Ainda sobre a dificuldade na aquisição de vacinas, o ministro lembrou que o Brasil faz parte do acordo Covax Facility, que alocou US$ 150 milhões para garantir a cobertura vacinal de 10% da sua população. “A prova dessa dificuldade de doses é que mesmo a OMS [Organização Mundial da Saúde] tem dificuldade de entregar as doses que se comprometeu conosco e nem por isso nós ficamos criticando a OMS.”

Queiroga acrescentou que o Brasil tem um trabalho diuturno para ter mais vacinas. Ele disse que, nesse sentido, o país é o quinto que mais distribui doses. “O Brasil está indo bem na campanha de vacinação. Poderia ir melhor? Claro que sim, se tivéssemos mais doses”, ressaltou.

Marcelo Queiroga destacou ainda que a curva epidemiológica brasileira em relação não só a óbitos como internações hospitalares vem tendo queda e, por isso, incentivou outras medidas. “Nós precisamos, além da vacinação, de incentivar as medidas não farmacológicas, como uso de máscaras e distanciamento social.”

O ministro destacou que o momento é de união e citou ações do governo como o pagamento do auxílio emergencial. “Vamos construir juntos um cenário que permita resgatar a saúde pública e devolver as condições econômicas no nosso país”, afirmou.

China

Perguntado se os problemas com o IFA poderiam ser reflexo de problemas diplomáticos com a China, Queiroga afirmou que o país asiático tem sido um grande parceiro para o Brasil e disse que não vê nenhuma fissura nas relações entre o governo brasileiro e o chinês.

“O presidente[ Jair Bolsonaro] tem uma excelente relação não só com a China, mas com todas as nações com que o Brasil estabelece relações internacionais. A China integra um bloco econômico importante que é o Brics, o Brasil faz parte, a Rússia faz parte, e as relações são absolutamente normais”, ressaltou Queiroga.

O ministro disse ainda que o embaixador do Reino Unido no Brasil, Peter Wilson, “é um grande parceiro nosso na prospecção não só de IFA, mas de doses prontas de vacina.”

Pesquisa

O município de Botucatu tem cerca de 150 mil habitantes, dos quais 106 mil são maiores de 18 anos. Pelo projeto de vacinação em massa, todos esses receberão imunização contra a covid-19, e os casos positivos na regiã, serão sequenciados. A expectativa é saber a efetividade da vacina produzida pela Fiocruz contra todas as cepas que circulam na cidade.

Além da efetividade contra as variantes, o estudo servirá para comparar o quão eficiente foi a vacinação em massa em relação aos demais municípios da região. Botucatu abriga uma unidade do Hospital das Clínicas da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) e, por isso, tornou-se um polo de referência na região.

O estudo terá duração estimada de oito meses. O período incluiu a aplicação das duas doses – com intervalo de 90 dias – e o acompanhamento da população imunizada.

 

Por | Karine Melo – Repórter da Agência Brasil – Brasília

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Dia dos Queijos Artesanais de Minas Gerais é comemorado em 16 de maio

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A cada ano, são feitas cerca de 85 mil toneladas do produto / Divulgação / Tereza Boari

Produção da iguaria gera renda e ocupação para cerca de 30 mil famílias mineiras

Um dos produtos agropecuários mais característicos do estado, por seu valor econômico, social, alimentar, histórico, cultural e tradicional, o queijo artesanal mineiro tem uma data para chamar de sua. É o Dia dos Queijos Artesanais de Minas Gerais, comemorado em 16 de maio. A data foi instituída há quatro anos pela Lei Estadual 22.506/2017, reconhecendo a importância de tipos de queijos feitos de leite cru, que não passaram por processo de pasteurização. As receitas variadas seguem tradições históricas passadas de geração a geração de produtores.

O dia e o mês escolhidos para homenagear os queijos artesanais mineiros remetem ao registro, em 2008, do Modo Artesanal de Fazer Queijo de Minas nas regiões do Serro, da Serra da Canastra e do Salitre ou Alto Paranaíba. Naquele ano, o jeito de produzir a iguaria foi registrado no Livro de Registro dos Saberes, pelo Conselho Consultivo do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Uma das iguarias feitas no estado, o Queijo Minas Artesanal (QMA), é reconhecido também como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro pelo Iphan.

Estimativas da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), vinculada à Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), apontam que a produção de queijos artesanais gera renda e ocupação para cerca de 30 mil famílias de todas as regiões mineiras. A cada ano, são feitas cerca de 85 mil toneladas do produto. Os estudos também mostram que, somente o QMA, primeiro queijo artesanal mineiro a ser regulamentado pela Lei Estadual 14.185/2002, é a fonte de renda de aproximadamente 9 mil famílias.

QMA 

O Queijo Minas Artesanal é feito de leite de vaca cru, sem pasteurização e costuma seguir processos tradicionais de confecção, em pequenas propriedades. “Foi o primeiro queijo a ser caracterizado no estado. O leite cru tem de ser produzido exclusivamente na propriedade produtora. Utiliza pingo, coalho, salga a seco e passa por processo de maturação, adquirindo uma casca lisa e amarelada”, explica a coordenadora técnica estadual da Emater-MG, Maria Edinice Soares.

São produzidas cerca de 50 mil toneladas de QMA por ano. “A média é de 15,3 quilos por produtor ao dia. O número nos mostra que a grande maioria dos produtores é da agricultura familiar e que eles movimentam aproximadamente R$ 1,1 milhão por ano”, informa o também coordenador técnico estadual da Emater-MG, engenheiro agrônomo Milton  Nunes.

O QMA pode ser produzido legalmente em todo o estado de Minas Gerais, mas somente os alimentos feitos nas oito microrregiões caracterizadas (Araxá, Campo das Vertentes, Canastra, Cerrado, Serras de Ibitipoca, Serra do Salitre, Serro e Triângulo Mineiro) são autorizados a usarem a nomenclatura na embalagem. “Uma pessoa de fora pode produzir, mas não explorar comercialmente o nome de nenhuma microrregião”, explica o gerente de Inspeção de Produto de Origem Animal do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), André Duch.

Tipos

Além das oito microrregiões produtoras do Queijo Minas Artesanal, há outras seis regiões caracterizadas no estado. Isso indica que passaram por estudos que identificaram e definiram o tipo de queijo feito nelas. Essas regiões produzem os queijos artesanais: Cabacinha, Serra Geral, Vale do Suaçuí, Alagoa, Mantiqueira de Minas e Requeijão Moreno. Cada um deles tem características que sofrem influência do clima e da pastagem predominantes. A origem e o manejo do rebanho e até o perfil do produtor também são determinantes no tipo de queijo de cada lugar.

O queijo artesanal Cabacinha é produzido no Vale do Jequitinhonha, com leite cru de vaca, massa aquecida, sem chegar a pasteurizar. Recebe o soro fermentado, retirado no final da mexedura da massa e é reservado em temperatura ambiente para ser usado no dia seguinte. É moldado manualmente em forma de cabacinha. Já o queijo artesanal da Serra Geral, produzido em 17 municípios da região Norte de Minas Gerais, não tem um processo definido quanto a forma de fazer e está em fase de estudos, segundo a coordenadora Maria Edinice.

Os artesanais queijo do Vale do Suaçuí, queijo de Alagoa e queijo da Mantiqueira de Minas têm praticamente o mesmo modo de fazer com pequenas diferenças entre eles. Todos são originados de leite cru de vaca, soro fermentado e coalho. A massa passa por um processo de cozimento, enformagem e salga salmoura.

Emater-MG

A Emater-MG trabalha em parceria com o IMA, órgão estadual de inspeção sanitária, que registra as queijarias do estado. O registro legaliza a situação dos estabelecimentos para que possam comercializar seus produtos, com segurança para o consumidor, em Minas Gerais e em outros estados. Para vender fora das divisas mineiras, porém, o produtor precisa solicitar também o Selo Arte.

“O primeiro passo para quem deseja legalizar o queijo que produz é procurar o escritório da Emater-MG, para que o extensionista possa o orientar nesse processo. Nosso papel é apoiar o produtor na organização dos documentos exigidos pelo IMA”, explica Milton Nunes. Entre os documentos que o produtor tem de entregar ao IMA estão um memorial socioeconômico, descrevendo toda a estrutura de queijaria e de curral, programas operacionais de higiene e sanitização e comprovante de sanidade do rebanho.

O Selo Arte é uma garantia a mais para o consumidor e também uma forma de ampliar o alcance da comercialização para o fabricante. “Ele veio para falar ao consumidor que aquele queijo é artesanal e segue parâmetros de legislação de boas práticas agropecuárias e de fabricação. Com isso, o produtor pode colocar seu queijo em qualquer gôndola, dentro e fora do estado de Minas Gerais”, justifica a coordenadora técnica Maria Edinice Soares.

Sabores e histórias

Na última quinta-feira (13/5), a Emater-MG promoveu o seminário on-line “Sabores e Histórias dos Queijos Artesanais de Minas Gerais”. O programa está disponível no canal do Youtube da Emater-MG, neste link.

 

Por | Agência Minas

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